O título deste post também poderia ser “como não fazer amigos em Dubai” rsrs, mas lá vamos nós, pois a gafe desta vez não foi minha.
Casa nova, bagunça instalada, caixas de mudança espalhadas pela casa. Sabe aquele inferno de mudança? Pois é… Resolvi passar no supermercado perto de casa, dentro do condomínio mesmo, para comprar umas coisinhas urgentes.
Na entrada do supermercado, fui pegar um carrinho de compras e percebo que duas brasileiras conversam e tentam desengatar um carrinho da fila, mas não conseguem.
Nota: Ao avistar brasileiros no exterior falando português, aja normalmente, como se estivesse no Brasil. E de preferência, fique quietinho pois provavelmente você vai dar umas boas risadas ouvindo o que eles falam (brasileiros têm a mania de pensar que ninguém no mundo entende português e que não há brasileiros no exterior como eles).
Educadamente, pego o meu carrinho que consegui soltar pegando lááá do meio da fila e passo para as duas brasileiras. Elas provavelmente pensaram que eu era árabe e me agradeceram em inglês. Eu só respondi com um gesto, um sorriso, mas sem abrir minha boca. Eu já sabia que ia testemunhar uma gafe…
Peguei um outro carrinho pra mim e entrei na primeira fileira do supermercado: verduras e legumes. Meu marido estava empurrando o carrinho com nossa filha, e eu empurrando o carrinho do supermercado. E lá estavam as duas brasileiras.
Neste momento, meu marido que estava mais à frente e não sabia que as duas eram brasileiras, pediu licença para poder passar com o carrinho de bebê, pois o carrinho das moçoilas estava fechando a passagem. Como ele não parece brasileiro, as duas retiraram o carrinho e depois que ele passou, soltaram a seguinte pérola bem alto e em português, crentes que ele não entenderia:
- Nossa, que gente mal-educada. Cara feia pra mim é fome. – e começaram a dar aquelas risadinhas malignas…
Rá! Não disse que era melhor ficar quieta pra “pegar” a gafe? Esta dica é infalível. Rsrs.
Como meu marido já estava lá na frente e não ouviu, eu que estava logo atrás percebi a gracinha e não consegui ficar quieta. Como eu odeio barracos (eu sou pobre, mas sou fina, tá?
), parei do lado da mulher linguaruda e fiquei olhando até ela perceber.
Sabe quando você está conversando com alguém, e de repente percebe que alguém está te olhando? Pois é. Eu parei bem do lado dela e fiquei lá até ela perceber. Quando a “educada” se deu conta, eu só disse EM PORTUGUÊS calmamente:
- Não é fome, não. Na verdade, ele só queria passar e seu carrinho estava atrapalhando… Uma pena que você seja assim… Tem que fazer falta de educação e fofoquinha até longe do Brasil? Tsc, tsc, que coisa feia!
E ela ficou roxa, toda sem graaaaça, eu tinha acabado de fazer uma gentileza cedendo o carrinho de compras e ela foi ficar de picuinha logo com o meu marido? Deve ter pensado: “Putz, mandei mal…” Haha. Realmente ela não estava no dia dela… Aí, sem reação se desculpou e eu disse:
- Olha, tome cuidado. Aqui há muito mais brasileiros do que você pensa…
Eu segui mentalmente assobiando e pensando: “Por que o povo tem mania de fazer falta de educação e comentários grosseiros em português para impedir que o outro tenha o direito de responder?” Aliás, falta de educação dupla: falar um idioma que o outro não entenda de propósito e fazer comentário grosseiro.
Parece que dinheiro não compra educação, né? Tem gente que pode ficar milionário, mas a educação… Ui. Sofrível…
E um amigo ainda me disse: esta você devia colocar no blog, mas o título deveria ser “como não fazer amigos”. Logo eu, que sou tão quieta…
Na boa? Estou dispensando amigos deste tipo… Prefiro ter poucos e bons. Sábio era o vovô, que dizia: “Você não pode dispensar o mundo todo, mas meia dúzia você bem pode”. E viva a sabedoria secular dos nossos avós…
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